Tecnologia mudou a relação do eleitor com a política, diz Márcio França

por adm publicado 07/11/2019 16h35, última modificação 07/11/2019 17h09
Ex-governador esteve na Câmara de Osasco em evento do PSB regional

Por Charles Nisz

O ex-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), esteve na Câmara Municipal de Osasco na noite desta terça-feira (5), realizando a palestra de abertura do Curso de Formação Política do PSB. Aberto ao público, o evento aconteceu no Plenário Tiradentes e foi organizado pelo vereador Prof. Mário Luiz Guide (PSB). França comentou sobre sua trajetória política, as mudanças trazidas pela tecnologia à política e o cenário político estadual e nacional.

Na abertura da palestra, França relembrou sua primeira campanha para vereador, há mais de 40 anos: “Minha primeira campanha aconteceu em 1978, para vereador em São Vicente. Foi mais difícil alcançar aqueles 478 votos do que os mais de 10 milhões de eleitores que conquistei na última eleição para governador, em 2018”.

De acordo com França, tal mudança aconteceu por conta da tecnologia e da internet. “Hoje, está todo mundo conectado, as notícias, especialmente as ruins, correm mais rápido. Essa velocidade demanda respostas mais rápidas dos políticos e do poder público para atender anseios e demandas dos eleitores”.

“Essa foi a primeira eleição onde tanto quem ganhou como quem perdeu ficou bravo. Há uma insatisfação com a política”, diz França. “O mandato dura quatro anos, mas os eleitores querem mudanças imediatas e usam as redes como uma maneira de fiscalizar, cobrar e fazer ‘recall’ dos políticos”, disse o ex-governador, enfatizando o poder das redes.

Segundo França, uma possibilidade de lidar com essas demandas está na própria tecnologia. “Uma ideia seria um aplicativo onde os eleitores ou filiados a um partido poderiam ajudar a decidir como deveria ser a posição de uma legenda sobre determinado tema a ser votado numa Câmara de Vereadores ou no Legislativo federal”, aponta.

França também comentou sobre a necessidade de mais publicidade e divulgação das ações realizadas pelo poder público. “Numa coisa preciso dar razão ao João (Doria) – ele faz bom marketing das ações do governo.  São Paulo investe mais em pesquisa que a Rússia e a Espanha, por exemplo. Mas como isso é pouco divulgado, as pessoas tendem a acreditar que o poder público não faz nada”, exemplificou.

Já sobre o cenário político atual, França enfatizou a necessidade de discordar de forma democrática. “É importante saber conviver sem radicalismos. A disputa política é natural e não precisa descambar em raiva, ódio”, lamentou ele.

Por fim, o ex-governador delineou uma tendência para as eleições municipais de 2020: “Partidos que tiverem um nome forte na lembrança do eleitorado (Lula, Bolsonaro, Ciro) terão vantagem na hora de pedir votos para prefeitos e vereadores. O ‘recall’ ainda é um aspecto importante em qualquer pleito eleitoral”.

Assista à palestra na íntegra:

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